Laudo com vídeo em 3D foi base para relatório que aponta morte de JK pela ditadura; assista

  • 09/05/2026
(Foto: Reprodução)
Vídeos em 3D recriam acidente de JK. Créditos: Ricardo Dachtelberg e Sergio Ejzenberg Uma perícia encomendada pelo Ministério Público Federal (MPF) foi um dos documentos que embasou o relatório com uma nova versão sobre a morte de Juscelino Kubitscheck. O parecer da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) diz que o ex-presidente foi morto em 1976 pela ditadura militar, e não vítima de um acidente de carro. Vídeos em 3D criados pelo designer Ricardo Dachtelberg e pelo engenheiro Sergio Ejzenberg, responsável pelo laudo técnico, simulam o momento da batida que matou JK (veja acima). A animação foi produzida a pedido da promotoria, que, entre 2013 e 2019, analisou as causas da colisão por meio de um inquérito civil público (leia mais abaixo). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Minas no WhatsApp Apesar do relatório da CEMDP, a nova versão ainda precisa ser aprovada em votação do colegiado da comissão para se tornar a oficial. O parecer, elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, tem mais de cinco mil páginas e está sendo examinado pelos demais conselheiros para ser votado. "As decisões sobre o reconhecimento ou não de desaparecidos políticos são votadas em reuniões da CEMDP e aprovadas por maioria simples, conforme previsto em seu regimento. Ressalta-se que o relatório em questão segue em análise pelos membros da Comissão e ainda não foi submetido à votação", disse, em nota, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Ao longo dos anos, diversas teorias sugeriram que o episódio poderia se tratar de um atentado político no contexto da ditadura no Brasil. Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade descartou que os militares tiveram participação na morte do ex-presidente. No entanto, em fevereiro de 2025, o governo Lula decidiu reabrir o caso. O perito contratado pelo MPF contestou análises anteriores e rejeitou a hipótese de que o acidente tenha sido provocado por uma colisão entre o Chevrolet Opala de JK e um ônibus antes de o veículo se chocar contra uma carreta. Ele também concluiu que a investigação foi "prejudicada pela perda e destruição de provas materiais". Simulação 3D Especialista em transportes, Sergio Ejzenberg foi convidado pelo MPF para examinar o material produzido em 1976 e 1996 pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que fundamentou a tese oficial de choque do coletivo no Opala. O engenheiro analisou os laudos existentes do caso e, em 2019, preparou um novo estudo sobre o acidente. A simulação 3D mostra, de vários ângulos, o carro, onde estavam o ex-presidente e o motorista Geraldo Ribeiro, atravessando para o outro lado da Rodovia Presidente Dutra, em Resende (RJ), na frente de um ônibus da Viação Cometa. Em seguida, o veículo, ao invadir a contramão, colide de frente com um caminhão. Em nenhum momento do vídeo, o Opala de JK bate com o coletivo, o que contradiz a hipótese apresentada à época do acidente e reafirmada pela Comissão Nacional da Verdade. Acidente com carro de JK em 1976 MPF/Reprodução Relatório diz que JK foi morto pela ditadura militar, e não vítima de acidente Conclusões da perícia A partir das análises periciais, o engenheiro apresentou conclusões como: o ônibus não estava trafegando em excesso de velocidade e não teve qualquer participação no acidente; o carro de JK também não trafegava em excesso de velocidade; a inexistência de marcas de frenagem do carro de JK, o que impossibilita descartar a hipótese de sabotagem do veículo; os laudos produzidos à época apresentam "erros técnicos, falhas, omissões e suposições não comprovadas", além de contradição. Ainda segundo o perito, a colisão não foi um "típico 'acidente' de trânsito, existindo evidências que demonstram que o automóvel teria seguido em direção à pista oposta em rota de colisão, com inexplicável e pouco crível falta de mínima reação evasiva de seu condutor". Ejzenberg declarou que não era possível comprovar nem descartar as teses de mal súbito do motorista de JK e de sabotagem do automóvel, mas alertou que a investigação estava "prejudicada pela perda e destruição de provas materiais". Caso arquivado Apesar das contatações da perícia, o MPF descartou a adoção de novas medidas judiciais e extrajudiciais em relação ao caso e decidiu arquivá-lo em 2019, considerando "falta de provas e materialidade". No inquérito, o órgão destacou que JK era constantemente monitorado pela ditadura militar "por representar uma força política e popular". No entanto, por causa das falhas apresentadas na primeira investigação, concluiu que "a verdade dos fatos é impossível de ser alcançada". "Trazer a público as provas angariadas ao longo de seis anos de investigação sobre fato histórico e controverso da sociedade brasileira, por si só, já cumpre em grande parte o fomento ao direito à verdade que o MPF almeja", afirmou o procurador Paulo Sérgio Ferreira Filho. Juscelino Kubitschek, presidente do Brasil de 1956 a 1961 Arquivo público/DF Quem foi JK Juscelino Kubitscheck ficou conhecido pela transferência da capital do país para Brasília e pelo projeto de modernização pela aceleração do processo de industrialização, conhecido como "50 anos em 5". Após deixar a presidência da República, foi eleito senador e tomou posse já em 1961. Com a eclosão do golpe militar de 1964, JK teve os direitos políticos cassados. LEIA MAIS: Relatório diz que JK foi morto pela ditadura militar, e não vítima de acidente Vídeos em 3D simulam acidente que matou JK em 1976 Morte de JK, há quase 50 anos, ainda gera debates sobre a causa; entenda

FONTE: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2026/05/09/laudo-com-video-em-3d-foi-base-para-relatorio-que-aponta-morte-de-jk-pela-ditadura-assista.ghtml


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